15 de setembro de 2016

Pr. Samuel Câmara

A atualidade da mensagem da cruz

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Grandes personagens de um passado recente, como Karl Max, Mahatma Gandhi e Friedrich Nietzsche, tiveram dificuldade de aceitar o Evangelho e sua mensagem centrada na cruz de Cristo. Na Idade Média, a própria igreja cristã abandonou definitivamente a mensagem da cruz, centrando sua atenção em temas mais sociáveis, tais como boas obras e indulgências, utilizando-os como meios de se alcançar a salvação. Todavia, a rejeição ou abandono da mensagem da cruz, mesmo na época dos apóstolos, especialmente pela narrativa do apóstolo Paulo, não era nenhuma novidade. Por isso, Paulo disse de modo claro e radical: “A mensagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18).

Embora o cristianismo, hoje, pareça uma imensa “colcha de retalhos”, com doutrinas e crenças para todos os gostos e desgostos, com opiniões divergentes e consensos apócrifos, o pensamento insofismável é que, independentemente das diferenças, todos os cristãos estão indubitavelmente à sombra da cruz.

A morte de Cristo na cruz e Sua ressurreição são o ponto de partida da cristandade. Sem estes fatos históricos, não haveria nem Evangelho nem cristãos. Isto faz da cruz não o mais importante símbolo visual da igreja cristã. Porém, a cruz nada é sem o crucificado. Certamente isto ensejou Paulo a declarar: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). Infelizmente, para alguns, a cruz tem apenas valor estético. Outros a tomam como amuleto protetor. Não poucos a tratam como fetiche. Mas, para a maioria, a cruz não passa de um símbolo religioso desgastado pelo tempo e pela modernidade.

A centralidade da cruz como símbolo cristão teve sua origem no coração do próprio Jesus, quando disse: “O Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá” (Mt 20.18-19). Só que Jesus nunca falava da cruz isoladamente, mas acompanhada da mensagem da ressurreição: morte da velha criatura e o renascimento para uma nova vida, sempre assim.

Desse modo, convém tratarmos sobre a morte de Jesus na cruz, principalmente elencando os principais pontos de sua importância histórica e espiritual para a humanidade, pois foi por intermédio dela que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19).

A maioria dos teólogos concorda que os quatro pontos fundamentais da mensagem da cruz são os seguintes:

A morte de Jesus na cruz foi predita. Setecentos anos antes de Cristo, Isaías escreveu: “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5). Isso era uma referência a Jesus, “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Com a sua morte, “Deus cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer” (At 3.18).

A morte de Jesus na cruz foi vergonhosa e humilhante. A morte na cruz era utilizada pelos romanos para punir ladrões e escravos, os quais eram primeiramente açoitados, depois crucificados. Jesus foi exposto a esta mesma vergonha, como está escrito: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gl 3.13).

A morte de Jesus foi voluntária. Jesus morreu porque quis. Ele disse: “O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou” (Jo 10.17). A sua atitude nada tinha de fatalista nem de complexo de mártir. Ele queria tão somente cumprir a vontade de Deus. Ele não fez opção pelos pobres, embora os amasse de verdade; a única opção que fez foi pelos perdidos, como está escrito: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). E Jesus, mais do que ninguém, sabia que “sem derramamento de sangue, não há remissão” de pecados (Hb 9.22).

A morte de Jesus foi substitutiva. Quem substitui alguém, toma o seu lugar e lhe faz as honras ou desonras. Isso quer dizer que Jesus nos substituiu, tomando o nosso lugar e fazendo-se voluntariamente culpado de toda a culpa que era cabalmente nossa. Pedro disse: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. (1Pe 2.24).

Ainda hoje há pecadores perdidos, ainda agora há milhões sem esperança, o que faz da mensagem da cruz atualíssima para quantos precisam de salvação. A mensagem da cruz é para mim, é para você, é para toda a humanidade. Ela fala da única salvação providenciada por Deus através de Jesus.

Nada pode substituir a cruz de Cristo. Não importa se Karl Max, Mahatma Gandhi e Friedrich Nietzsche, e tantos outros, tiveram dificuldades em aceitar a mensagem da cruz de Cristo; ela continua tão atual e necessária de quando Jesus a consumou no Calvário. Isto porque não há outro meio de reconciliação com Deus (Cl 1.19,20).

Só depende de você aceitar, pela fé, a mensagem da cruz de Cristo. Oro para que o Espírito Santo ilumine o seu coração e lhe esclareça sobre a mensagem da cruz.

 Pastor da Assembleia de Deus em Belém

 

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